A ESCRITA É UMA INFRAESTRUTURA: José Maria Tavares de  Andrade (Coleção Antropologia Brasileira Livro 7) (Portuguese Edition) por Coleção Antropologia Brasileira - Vol 7

A ESCRITA É UMA INFRAESTRUTURA: José Maria Tavares de  Andrade (Coleção Antropologia Brasileira Livro 7) (Portuguese Edition) por Coleção Antropologia Brasileira - Vol 7

April 7, 2020

Titulo del libro : A ESCRITA É UMA INFRAESTRUTURA: José Maria Tavares de  Andrade (Coleção Antropologia Brasileira Livro 7) (Portuguese Edition)
Fecha de lanzamiento : May 21, 2014
Autor : Coleção Antropologia Brasileira - Vol 7
Número de páginas : 157

A ESCRITA É UMA INFRAESTRUTURA: José Maria Tavares de  Andrade (Coleção Antropologia Brasileira Livro 7) (Portuguese Edition) de Coleção Antropologia Brasileira - Vol 7 está disponible para descargar en formato PDF y EPUB. Aquí puedes acceder a millones de libros. Todos los libros disponibles para leer en línea y descargar sin necesidad de pagar más.

Coleção Antropologia Brasileira - Vol 7 con A ESCRITA É UMA INFRAESTRUTURA: José Maria Tavares de  Andrade (Coleção Antropologia Brasileira Livro 7) (Portuguese Edition)

Utilizamos nossa escrita alfabética, mas reconhecemos que ela mesma é pouco estudada. É como a própria Ciência que trata de quase tudo do Homem e da vida no mundo, mas que pouco se ocupa dela mesma, em seus pressupostos e impactos na construção da Humanidade.
A maneira que encontrei de tratar criticamente de múltiplos aspectos da presença ou ausência da escrita na sociedade foi considerá-la aqui como uma infraestrutura, como o alicerce que fica enterrado e esquecido, sustentando o edifício da civilização globalizada.
Este livro vai tratando diversos aspectos desta complexa problemática da escritura em seus impactos na vida social, como: oralidade; cidadania entre alfabetizados e analfabetos, o trabalho e cultura dos analfabetos, as condições de exercício do direito de voto para todos, e uma visão comparativa entre a Índia e o Brasil, onde os analfabetos esperaram um século para poder votar. Como concluir sobre estes atropelos da democracia senão como um caos equilibrado como disse Edgar Morin?
Como apresentação Assis Lourenço, que é jornalista e editor se ofereceu para entabular com o autor uma conversa fraterna, buscando revelar ao leitor o fio condutor que costura a diversidade e a unidade deste volume. A cultura, a exemplo do caso brasileiro, articula oralidade e escritas. O que é o alfabeto senão uma tecnologia? Até hoje quem teve direito às escritas? A cosmovisão passa pelas linguagens do oral, anônimo, coletivo e pelas escrituras. Na linguagem corrente a palavra escritura significa: bíblia, contabilidade, propriedade privada, sendo a moeda cunhada uma forma de escrita.
Em português chamamos de alfabeto ou abecedário (de A, B, C, D) e de fato a palavra alfabeto vem das duas primeiras letras gregas: “alfa” e “beta”. Não podemos dizer que a expansão do uso das letras, considerado um “milagre grego” tenha favorecido a justiça, tolerância, fraternidade e o ecumenismo.
Existe uma cidadania analfabeta e uma grande riqueza da pré-ciência ou das tradições orais e pensamento mitológico ainda vivo. A literatura oral como mostrarei pode servir de indicadores de hipótese em Antropologia, basta para isto se garantir critérios de representatividade de fontes orais com relação à cultura a ser estudada – ver enquete sociolinguística. Trato do trabalho e cultura do analfabeto, retomando falas de analfabetos, suas dificuldades entre consciência e inconsciência do contexto do mundo das escritas. Reconstituo o atraso do alfabeto, da escola, da Impressa e da Universidade no Brasil. Os Jesuítas querendo alfabetizar os primeiros brasileiros foram expulsos. Durante um século os analfabetos brasileiros deixaram de votar. Como fazem outros países diante das dificuldades dos analfabetos votarem? Fui até a Índia para compara a situação.
Não existem propriamente sociedades ou nações analfabetas, mas fiz uma vez uma brincadeira numa conferência: “E assim nasceu a analfabetização” como se existisse um movimento dos analfabetos contra o alfabeto. A conferência foi sobre Paulo Freire, alfabetizador e “conscientizador”. Esta última palavra a correção automática não aceita ainda se bem que se existe já em muitas línguas o verbo freiriano: conscientização.
Além de um saber agrafe existe um correspondente saber fazer analfabeto, como o universal e milenar saber curar com as plantas medicinais. Finalmente retomo elementos de um artigo que publiquei em Recife, onde fui membro do jure dos desfiles de carnaval e dos repentistas em cantoria. Com isto lembro que a criatividade artística como o improviso poético não são apanágio dos doutores letrados. Que os novos pesquisadores continuem o estudo da escrita.

Autor e obras recentes
José Maria Tavares de Andrade estudou Filosofia em Olinda e Recife foi jornalista (Revista Cruzeiro e Veja) e pesquisador da cultura popular junto a Mauro Motta (Fundação Joaquim Nabuco), Hermilo Borba Filho e Ariano Suassuna, desenvolvendo o projeto de pesquisa: Música Popular Religiosa (DEC-UFPE, 1967-7